Aprenda sobre a Grande Tribulação

Precisamos entender quão importante era e é a santidade de Deus para o povo judeu. Os judeus acreditavam que o templo era sagrado e santo, porque o Santo de Israel fizera sua habitação ali. Para eles, aquele era o lugar mais sagrado no mundo. Contaminá-lo com sacrifícios pagãos era o maior insulto que alguém poderia causar a Israel.

Os judeus fiéis viram, nesta atrocidade, o cumprimento de uma profecia que se achava no livro de Daniel e se referia à “abominação desoladora” (Dn 9.27; 11.31; 12.11). Jesus fez uso desta expressão na continuação de seu discurso, no Monte das Oliveiras:

Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.

Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.

Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito.

Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres (Mt 24.15-28).

A referência ao “abominável da desolação” é misteriosa, mas é crucial; é o sinal supremo para indicar a proximidade do cumprimento destas profecias. A idolatria de Antíoco foi abominável, mas isto aconteceu no passado, e Jesus estava se referindo a algo que acontecerá no futuro. Mas, o que Jesus tinha em vista?

No ano 40 d.C., o imperador romano Calígula ordenou que uma estátua dele mesmo fosse construída e colocada no interior do templo. Você pode imaginar como isto provocou o povo de Israel. Pela bondade da providência de Deus, Calígula morreu antes que essa profanação acontecesse.

No ano 69 d.C., um ano antes da destruição de Jerusalém e do templo, aconteceu algo sem precedente: uma seita de judeus radicais, chamados zelotes, tomou forçosamente o templo e o transformou em um tipo de base militar.

Os zelotes eram um grupo de judeus entusiastas quanto à destituição violenta de seus invasores romanos. Quando tomaram o templo, cometeram todo tipo de atrocidades em seu interior, não mostrando respeito à santidade de Deus.

O historiador Josefo expressou sua denúncia emotiva da horrível profanação que os zelotes cometeram contra o templo. Era isso que Jesus tinha em mente?

Outra interpretação possível poderia ser a presença dos próprios brasões romanos. Quando os exércitos romanos marchavam, carregavam suas bandeiras com os brasões romanos estampados nelas.

Os judeus consideravam idólatras essas imagens. A presença desses brasões no templo teria sido considerado uma abominação.

Embora seja difícil determinar, com precisão, que incidente específico Jesus tinha em vista, o que sabemos é que durante o cerco de Jerusalém, seu povo seguiu suas instruções.

Lembre o que Jesus disse no versículo 15: “Os que estiverem na Judéia fujam para os montes”. Esta ordem, da parte de Jesus, teria sido totalmente fora do comum para seus ouvintes. Quando um exército invasor chegava, o procedimento normal, no mundo antigo, era as pessoas fugirem para a cidade de muros impenetráveis mais próxima que pudessem achar.

É claro que, na Judeia, isso significava Jerusalém. Mas Jesus disse a seus discípulos: “Quando todas estas coisas acontecerem, não vão para Jerusalém. Vão para as montanhas. Corram para os montes”. Isto foi exatamente o que aconteceu em 70 d.C. Sabemos que cerca de um milhão de judeus foram mortos, mas os cristãos haviam fugido.

Jesus continuou suas instruções: “Quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado” (vv. 17-20).

Isso é, obviamente, uma mensagem de urgência. Sabemos que o povo judeu tinha telhados planos em suas casas, com escadas exteriores que levavam ao telhado. Eles usavam esses telhados com um tipo de terraço, um lugar para descanso à noitinha, quando a temperatura era mais fresca.

“Não percam tempo. Logo que ficarem cientes da presença do abominável da desolação, saiam rapidamente. Não façam qualquer bagagem. Se estiverem no campo, não voltem à casa para apanhar roupas extras. O que estiverem vestindo, ou o que tiverem na bagagem, levem e esqueçam o resto”.

A nota de urgência ressoa novamente nos versículos seguintes. O tempo era o fator crucial, e, em termos simples, é difícil uma mulher ser rápida e se locomover apressadamente se está grávida ou amamentando.

O inverno é a estação mais difícil para sobrevivência fora de casa; e ter estes sinais acontecendo no dia de sábado seria um desafio para os judeus, por causa da proibição de viajar longas distâncias. Jesus estava dizendo a seus seguidores que orassem para que essas coisas não acontecessem no tempo errado, para que nada impedisse a sua fuga.

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John Robert Walmsley Stott,  foi um pastor e teólogo anglicano britânico, conhecido como um dos grandes nomes mundiais evangélicos.

Thiago Aguiar

Thiago Aguiar, Casado com Juliana Aguiar, Cristão, Salvo por Jesus Cristo, Ministro do Evangelho, Bacharel em Teologia, Técnico em Segurança do Trabalho, Empreendedor Digital, Blogueiro, Serve na Igreja Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, em Natal/RN.

Website: https://thiagoaguiar.com

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