A Voz da Igreja – Thiago Aguiar

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Quando o Planned Parenthood [programa de planejamento familiar] adotou uma estratégia para vencer o debate sobre o aborto e estabelecer o direito legal das mulheres fazerem abortos quando quiserem, foi feita uma pergunta estratégica:

A Voz da Igreja

“De onde virá a nossa oposição mais forte?” A organização previu que a oposição mais feroz viria da Igreja Católica Romana. Com o intuito de compensar o impacto da comunidade católica, o Planned Parenthood adotou uma estratégia para incentivar as igrejas protestantes a apoiar o direito da mulher ao aborto.

Foi incentivado o uso de mantras como “o direito de escolha da mulher” e “o direito da mulher sobre o seu próprio corpo”. Outra parte da estratégia era usar o slogan “pró-escolha” ao invés de “pró-aborto”.

Em outras palavras, o esforço para legalizar o aborto foi disfarçado na bandeira da liberdade pessoal.

A estratégia do Planned Parenthood foi altamente bem sucedida. Em sua maior parte, as principais igrejas liberais apoiavam a cruzada feminista em favor da “escolha”.

O que foi mais angustiante foi o silêncio das igrejas evangélicas, as igrejas comprometidas com a autoridade da Bíblia e com a fé cristã.

Levou muitos anos para que a igreja evangélica chegasse a um consenso sobre o mal do aborto, mas, ainda mais trágico, muitas igrejas evangélicas ainda se recusam a falar contra a destruição de bebês criados à imagem de Deus.

Vários anos atrás, eu ministrei uma série de palestras em vídeo, das quais surgiu o meu livro a respeito do aborto. Fizemos um esforço para levar esses materiais educativos às igrejas evangélicas, para ajudá-los na instrução de seus membros a respeito dessa questão ética de profunda seriedade.

Fiquei triste ao receber a mesma resposta, vez após vez. Inúmeros pastores evangélicos me disseram que não poderiam usar os nossos materiais em suas igrejas, porque a questão do aborto é muito polêmica.

Se eles se posicionassem contra o aborto, eles disseram que causariam divisões em suas igrejas. O quê? Divisões em suas igrejas? O que poderia ser um mal pior do que essa divisão?

Eis a resposta: permanecer em silêncio sobre a questão ética mais grave que os Estados Unidos já enfrentaram.

Se for para cessar a matança de milhões de nascituros, a igreja deve se tornar novamente a igreja. Aqueles que se escondem atrás da ideia de que a igreja nunca deve falar sobre questões políticas esqueceram um princípio das Escrituras que podemos chamar de crítica profética.

Pode ter sido politicamente incorreto o fato de Natã confrontar Davi sobre o seu adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias (2 Samuel 12:1-15a).

Pode ter sido politicamente incorreto o fato de Elias enfrentar Acabe por seu confisco pecaminoso da vinha de Nabote (1 Reis 21). Pode ter sido politicamente incorreto o fato de João Batista desafiar o casamento ilícito de Herodes, o tetrarca (Mateus 14).

Nesses e em outros exemplos das Sagradas Escrituras, vemos que os representantes da igreja não tentavam tornar-se o Estado, mas ofereciam uma crítica profética ao Estado—apesar das possíveis consequências.

A igreja não é o Estado, mas é a consciência do Estado, e essa é uma consciência que não pode se dar ao luxo de tornar-se cauterizada e silenciosa.

O Estado é um instrumento estabelecido por Deus. E também é governado por Ele. A igreja não precisa ser o Estado, mas ela precisa lembrar o estado do seu dever dado por Deus.

A principal razão para a existência de qualquer governo é manter, sustentar e proteger a santidade da vida humana. Quando o Estado não consegue fazer isso, tornou-se demonizado. E o dever sagrado da igreja e de cada cristão é dar voz de oposição a isso.

As principais estratégias da igreja evangélica para acabar com o aborto têm sido exercer pressão sobre as clínicas de aborto e os políticos eleitos.

Não há nada de errado com essas estratégias; no entanto, uma estratégia que não tem sido utilizada ou amplamente adotada é a de protestar contra as igrejas que apoiam o horrível assassinato de nascituros.

É hora de os cristãos fazerem críticas proféticas à igreja, especificamente àquelas igrejas que apoiam o aborto ou permanecem em silêncio a respeito desta grande questão.

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John Robert Walmsley Stott,  foi um pastor e teólogo anglicano britânico, conhecido como um dos grandes nomes mundiais evangélicos.

Thiago Aguiar

Thiago Aguiar, Casado com Juliana Aguiar, Cristão, Salvo por Jesus Cristo, Ministro do Evangelho, Bacharel em Teologia, Técnico em Segurança do Trabalho, Empreendedor Digital, Blogueiro, Serve na Igreja Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, em Natal/RN.

Website: https://thiagoaguiar.com

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